Olê {Rendeiras de Bilro}

Olê {Rendeiras de Bilro}

Olê {Rendeiras de Bilro}

Olê {Rendeiras de Bilro}

Centenas de mulheres debruçadas sobre a beleza e a complexidade de uma amolfada.

Olê, um olhar sobre a renda de bilro.

Coleção Litorânea,

caderno e memórias do mar, de Olê Rendeiras, por Catarina Mina e QAIR Brasil.

A praia sempre foi refúgio, lazer, trabalho, alimento pra tanta gente no TRAIRI, que conta com orlas tão lindas como as Fleixeiras, o Mundaú, o Guajirú. Inspiradas por essas ondas e salgadas até a alma por essa energia é que apresentamos o resultado da nossa nova construção coletiva. Litorânea, cadernos e memórias da praia, é afirmar que a renda de bilro não é só a renda do Ceará, é a renda da beira do mar.

Renda de bilro é memória, sim, mas principalmente futuro. Nossos saberes contam nossa história e é preciso que afirmemos essa bagagem olhando pra frente. Tecer sempre, ensinar o ofício a quem chega agora, como um dia aprendemos como nossas mães.

Chegar longe. Não perder o cheiro do mar, não perder de vista o som do mar, mas chegar longe.

100% feito à mão.

Trairi, a terra da renda do Bilro

Ao todo são mais de 5000 rendeiras de bilro na região do Trairi. Da semente do bilreiro, um árvore da região, vem o acabamento das agulhas, feitas de espinhos de cardeiro. Sobre uma almofada, muitas mães e avós criaram suas famílias e ensinaram o fazer às suas crianças, que cresceram já arriscando um ponto ou outro e cedo se tornaram, também, artesãs rendeiras.
Em 2019,  a QAIR {@qairbrasil}  e a Catarina Mina desenvolveram um projeto junto às mulheres de Trairi, no litoral oeste do Ceará. Esse misto de sertão e praia guarda um dos saberes mais valiosos do nosso artesanato: a renda de bilro. Em torno dela e junto de nossas equipes, mais de 100 rendeiras trabalharam durante os últimos meses para que desenvolvêssemos juntas uma coleção que agora te convidamos para vir junto e conhecer!

Sobre os desafios do projeto

A renda de bilro (também chamada renda do Ceará ou renda de almofada), é, como outros saberes artesanais tão ricos do nosso estado, uma tipologia em extinção.
Um saber que passa sempre de geração em geração com um aprendizado basicamente orientado pelo olhar: as meninas pequenas viam suas mães trabalharem na almofada, e no intervalo do trabalho se arriscavam a copiá-las. Muitas aprenderam assim. Esse ensino de observação leva tempo, e para que a renda continue sendo viável para essas mulheres, fazendo parte de seu cotidiano e de seu sustento, é preciso incentivo. Um trabalho sofisticadíssimo, cujas ferramentas vem da própria natureza, às vezes do quintal: de um espinho se faz agulha e marcação. De uma semente se faz o acabamento de cada agulha, e com a costura se faz a almofada. Em cima dela, uma matriz de milhares de jogos de mão, que compõem quase uma dança de quem trabalha na renda. Em dias e dias, é possível que a rendeira se ache construindo uma única peça. Em contraponto a isso, aprendemos escutando as próprias rendeiras que a não valia a pena aquilo tudo, porque “a renda não tinha preço”. Dias e dias de trabalho não chegam a gerar o mínimo. Baixos preços de venda, excesso de atravessadores e produto semelhante em muitos grupos dificultam a comercialização. Nossa tarefa, desafiadora, é o que sugere o método das Oficinas Catarina Mina: aprender, construir junto dos grupos, para que se fortaleça o artesanato e confira longevidade às tipologias.

Esse desafio continua. Uma nova fase começa agora. Vamo junto com a gente pra se apaixonar também pelo universo do bilro?